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Conceito de androcentrismo

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Do grego aner, andrós + kétron + ismo, androcentrismo refere-se a privilegiar ideias e pensamentos masculinos. É uma tendência a dar valor para o que os homens fazem e pensam, não havendo igualdade, considerando o mesmo que a mulher pensa e faz.

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O androcentrismo supervaloriza as ideias e ações masculinas

Muitos consideram as ideias e pensamentos classificadas no androcentrismo como machistas e moralistas.

O androcentrismo é um termo que foi criado no ano de 1903 pelo sociólogo americano Lester F. Ward e o conceito, acredita-se, está relacionado com a noção de patriarcado. Mas no que diz respeito a esse termo, que define o homem como o ponto central, ele não está relacionado somente ao privilégio que os homens têm, senão também a forma com que as experiências desses homens são definidas como as experiências de todos os seres humanos, sendo algo universal, ou seja, válido tanto para o público masculino quanto para o público feminino.

Também é entendido como androcentrismo o colocar do masculino como o único paradigma no tocante a representação coletiva, estando, por tanto, o pensamento masculino acima dos demais. Posto isso, há, como citado, uma supervalorização de ideias e pensamentos masculinos, especialmente aquelas que são moralistas e machistas.

O androcentrismo pode acontecer em distintas áreas. Há como exemplo o androcentrismo na medicina, quando é dito que alguns dos sintomas do infarto são a dor e a pressão no peito e uma dor intensa no braço esquerdo, contudo, esses são sintomas que acometem mais os homens, pois nas mulheres os principais sintomas dessa mesma doença são a queimação e as pontadas na região do peito, náuseas, pressão no pescoço e dor abdominal.

Ainda, muitos consideram até mesmo que quando é usado o termo “homem” para se referir ao homem e a mulher isso se caracterize como androcentrismo.

Nos dias atuais, ainda que muitas alterações tenham sido implementadas nos padrões sociais, econômicos, culturais e políticos, ainda com o modo como as famílias hoje são configuradas, com tanto o homem quanto a mulher tendo direitos e deveres iguais, a sociedade se pauta ainda nesse modelo androcêntrico.

Mudanças na história

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Androcentrismo é também o colocar do masculino como o único paradigma no tocante a representação coletiva

Até certo período, as mulheres não tinham os mesmos direitos que os homens, tais como o direito de votar e de trabalhar, mas com o tempo e movimentos emergindo em prol dos direitos das mulheres, então isso foi mudando.

Um acontecimento histórico foi em 1850, quando o Código Comercial passou a permitir que as mulheres que fossem casadas exercessem a profissão de comerciante (mas para isso deveriam ser autorizadas pelo marido), esse foi um essencial passo para as mulheres conquistarem sua autonomia financeira.

Ainda, no ano de 1890 foi promulgado o chamado Decreto 181, que tinha o objetivo de reduzir o poder patriarcal, sendo que para isso ele retirava o direito de imposição de castigos corporais para a esposa e os filhos.

Sexismo e androcentrismo

O sexismo é algo que surge quando se fala em androcentrismo. Não se sabe ao certo quando tal termo surgiu, mas acredita-se que tenha sido com a “segunda onda” do feminismo de 1960 até 1980.

Sexismo descreve uma discriminação que é baseada na crença de que os homens são seres superiores às mulheres, ou seja, é uma forma de discriminação que tem fundamento no sexo.

Mas ao contrário do que algumas pessoas pensam, o sexismo não é algo que se resume a piadas ou quando é manifestado o pode masculino, mas o sexismo é toda uma esfera que compreende ações, ideias e atos que visam a subordinação da mulher.

O sexismo se fundamenta na crença de que um sexo, que é o masculino, seja superior ao outro, ou seja, ao feminino. Posto isso, tal crença define os limites sobre o que os homens podem fazer e o que as mulheres podem fazer.

Foi a partir da Revolução Industrial, que ocorreu entre 1760 a 1840, que a mulher passou a ter mais visibilidade, com o seu papel sendo revertido por conta das condições sociais, econômicas e políticas que eram delineadas a partir desse período.

Mesmo que tenham acontecido mudanças, com as mulheres passando a trabalhar no campo, no entanto, essas camponesas eram regidas pelos maridos em suas atividades, tal como ainda hoje acontece em vários lugares. Ainda, elas eram representadas como figuras secundárias, sendo consideradas apenas como apoio ou assessoria. Em muitos casos, as mulheres que começaram a trabalhar naquela época era designadas para funções de assistência, cuidado ou educação.

Ginocentrismo

Há o oposto ao androcentrismo, esse relacionando-o com a mulher, o qual é chamado de ginocentrismo.

Ginocentrismo trata-se da prática, de forma consciente ou não, de colocar as mulheres ou ideias e ações femininas como o ponto central da visão de mundo. Esse é um sistema que coloca os pensamentos e as necessidades das mulheres acima de todos os demais, com análises partindo desse ponto que é usado como referência.

Citação

SOUSA, Priscila. (1 de Abril de 2022). Conceito de androcentrismo. Conceito.de. https://conceito.de/androcentrismo