
Genética de populações (ou genética populacional) é como se chama uma ramificação da biologia. E essa ramificação foca no estudo da estrutura genética existente nas populações. As populações estudadas podem ser naturais ou também domesticadas.
Esse ramo da biologia estuda ainda sobre as mudanças comportamentais dessas populações ao longo do tempo, em virtude de processos como a seleção natural ou seleção artificial, além de outros processos.
Sobre a seleção natural e a arificola, é importante compreender sobre ambas antes de prosseguir para a explicação desse conceito. Enquanto a seleção natural consiste na mudança gradual de uma espécie sem a interferência humana, a seleção artificial é aquela em que há a interferência do homem, sendo ele quem escolhe as características em animais ou plantas que lhe são desejáveis.
A genética de populações mescla princípios da genética, evolução e também da estatística a fim de entender como os processos naturais citados, e outros, moldam a diversidade biológica. E a seguir estão os principais elementos que integram e possuem um papel essencial na genética populacional.
Frequência alélica e pool genético
Cada gene pode dispor de diferentes versões, chamadas de alelos. A chamada frequência alélica mostra a proporção de cada alelo numa população. Por exemplo, caso 60% dos alelos de um gene sejam do tipo “A” e 40% deles sejam “a”, então essas são as respectivas frequências alélicas.
Existe ainda o chamado pool genético, que é o conjunto total de genes e alelos que existem em todos os indivíduos de uma população. Ele se trata da base da variabilidade genética existente para a evolução ocorrer.
Variabilidade genética e heterozigosidade
A variabilidade genética se trata da diversidade de alelos que uma população apresenta e está diretamente ligada à heterozigosidade, que é a presença de alelos diferentes em um mesmo locus gênico.
Populações com alta heterozigosidade contam com maior capacidade de adaptação. Por outro lado, a homozigosidade, que é quando os alelos são iguais, poderia indicar menor variabilidade e um risco genético mais elevado, ainda mais em populações pequenas ou isoladas.
Mecanismos evolutivos
Existem alguns mecanismos que influenciam a genética de populações, sendo alguns deles:
- Mutação: é a fonte primária de novos alelos, as mutações acontecem de maneira espontânea e aleatória, ajudando na diversidade genética;
- Seleção natural: beneficia alelos que elevam a sobrevivência e a reprodução, mudando sua frequência conforme passa o tempo;
- Deriva genética: mudanças aleatórias nas frequências alélicas, sendo mais significativas em populações menores, sendo capaz de levar à perda ou fixação de alelos;
- Fluxo gênico: Intercâmbio de genes entre populações que acontece através da migração de indivíduos, o que promove maior homogeneidade genética;
- Pressão seletiva: se trata de um fator ambiental que ajuda ou prejudica determinados fenótipos, direcionando a seleção natural.
Isolamento reprodutivo e especiação
Outros dos processos essenciais na genética de populações é o nomeado de especiação. Esse processo acontece se uma população se divide em grupos que evoluem de maneira independente, surgindo novas espécies.
A especiação geralmente requer isolamento reprodutivo, que se trata de impedimentos que previnem o cruzamento entre os grupos ou a produção de descendentes que sejam férteis. Há como ocorrer um isolamento geográfico, comportamental ou mesmo genético.
Divergência genética e estrutura populacional

Com o tempo, populações isoladas apresentam divergência genética, que se trata do acúmulo de diferenças nos seus genomas. Mais um elemento importante a citar é a estrutura populacional, que é a maneira como os alelos estão distribuídos entre subpopulações. E quanto a relação entre esses dois conceitos, se o fluxo gênico entre elas é limitado, então a divergência tende a aumentar.
Sobre as barreiras genéticas e o efeito fundador
As barreiras genéticas geram impedimentos para o fluxo gênico e podem ser provocadas por diferenças no número de cromossomos, incompatibilidades genéticas ou até mesmo por fatores ecológicos. Um exemplo é o do efeito fundador, onde uma nova população é formada a partir de poucos indivíduos. Isso ocasiona a perda de variabilidade genética e a frequências alélicas diferentes da população original.
Endogamia, exogamia e coeficiente de endogamia
Dá-se o nome de endogamia ao cruzamento entre indivíduos geneticamente próximos, algo comum em populações pequenas ou isoladas. Ela eleva a homozigosidade e tende a reforçar a expressão de genes recessivos deletérios.
Por sua vez, a exogamia — que é o cruzamento com indivíduos de outras populações — eleva a heterozigosidade e a diversidade genética.
O coeficiente de endogamia (F) faz a medição da probabilidade de dois alelos serem idênticos por descendência, logo, se trata de um importante indicador para saber sobre a saúde genética de uma população.
Equilíbrio de Hardy-Weinberg
Finalmente, outro elemento importante na genética de população é o princípio de Hardy-Weinberg, que estabelece que, não existindo fatores evolutivos (como seleção, mutação, migração e deriva), as frequências alélicas e genotípicas se mantém constantes ao longo das gerações. Essa teoria é um modelo de referência para detectar se uma população sofre ou não evolução.
Ao estudar esses mecanismos ligados à genética de populações, há como entender os processos que conduzem à atual biodiversidade e como ela será capaz de se transformar no futuro.
SOUSA, Priscila. (12 de Fevereiro de 2026). Genética de populações - O que é, estrutura, conceito e definição. Conceito.de. https://conceito.de/genetica-de-populacoes