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Engenho

Engenho, do latim ingenĭum, é a faculdade/qualidade de uma pessoa para inventar com prontidão ou resolver algo com facilidade. O conceito está associado à intuição, à criatividade, à astúcia e ao talento. Exemplos: “Para resolver este enigma, é necessário mais engenho do que propriamente força”, “O actor respondeu às perguntas mais complicadas dos jornalistas com simpatia e engenho”, “O último capítulo do romance demonstra bem o engenho do autor para encerrar tão lindamente uma história complexa”.

engenho
O engenho é a capacidade que uma pessoa possui para inventar ou resolver algo

O engenho também é uma questão de talento, destreza, espírito inventivo e habilidade para captar e mostrar o lado engraçado das coisas. Uma pessoa engenhosa pode fazer rir os outros no meio de uma situação formal ou estruturada com uma graça pertinente ou um comentário jocoso em momento oportuno.

No Brasil, dá-se o nome de engenho à máquina de moer a cana-de-açúcar e à máquina de fazer aguardente de cana (rum). Também se chama assim a máquina para desarestar o linho. Os engenhos estenderam-se pelo território americano graças às condições climáticas apesar de a cana-de-açúcar não ser um cultivo autóctone desse continente, uma vez que foi introduzido pelos europeus.

Em português de Portugal, um engenho é um mecanismo, mais precisamente um aparelho para tirar água dos poços.

Por fim, no âmbito militar, é considerado engenho qualquer arma coletiva pesada da infantaria, como os morteiros e as metralhadoras.

Se você tem apenas alguns segundos, leia estes pontos chave:
  • O termo "engenho" referia-se tanto aos instrumentos de moenda quanto à unidade de produção no contexto da produção de cana-de-açúcar, divididos em engenhos reais (movidos por água) e trapiches (movidos por tração animal).
  • Os engenhos consistiam em diversos espaços, incluindo a casa-grande (residência do proprietário), a senzala (alojamento dos escravos), a casa de engenho (local de moenda), a capela (para práticas religiosas) e a propriedade agrícola (para plantação).
  • No contexto das terras para cultivo, existiam as exploradas pelos proprietários e as "fazendas obrigadas" onde o cultivo era emprestado a outros lavradores que pagavam um aluguel e forneciam metade da produção de açúcar. Além disso, também existiam os lavradores livres, que apesar de cultivarem suas próprias terras, tinham que moer sua cana em outro local e fornecer metade de sua produção ao dono.
  • Enquanto o plantio de feijão, mandioca, arroz e milho ocorria no engenho para servir como alimento humano, a produção era insuficiente devido à falta de interesse dos senhores de engenho nesses produtos, focando sua atenção no cultivo mais lucrativo da cana-de-açúcar. Isso gerava escassez de alimentos e elevação de preços, mas os senhores de engenho importavam seus alimentos da Europa.

Engenho como propriedade produtora de açúcar

conceito de engenho
O engenho ainda é um termo usado para designar o local onde os escravos trabalhavam na produção de cana-de-açúcar

O engenho que remetia a produção da cana-de-açúcar não se resumia apenas aos instrumentos de moenda. Mas o termo era aplicado ainda ao local, a unidade de produção. E havia dois tipos deles: os engenhos reais, movidos pela água, e os trapiches, movidos por meio da tração animal.

E esses locais eram compostos pelos seguintes espaços:

  • Casa-grande: onde vivia o dono da grande propriedade, o qual levava o nome de senhor de engenho, e também a família desse;
  • Senzala: local onde os escravizados viviam (em sua maioria, em uma situação bastante precária);
  • Casa de engenho: onde ocorria o processo de moagem;
  • Capela: local onde aconteciam as práticas religiosas;
  • E havia ainda a propriedade agrícola, onde se encontravam os canaviais, as pastagens e também as terras usadas no cultivo de alimentos.

Nos engenhos, era comum que ocorresse a produção de destilarias para a fabricação da cachaça no Brasil. E, inclusive, essa bebida era usada no escambo entre os escravos.

As terras usadas no cultivo eram divididas entre as que o dono delas explorava e as nomeadas de fazendas obrigadas, onde o proprietário da terra emprestava o cultivo para outro lavrador, que lhe pagava um tipo de aluguel por ela e ainda dava metade da produção de açúcar que obtinha ali.

Havia ali também os chamados de lavradores livres. Esses lavradores cultivavam nas suas próprias terras, contudo, por não serem donos de um engenho, tinha que moer a cana em outro local, então metade de sua produção ficava com o dono.

Problemas no cultivo

Canaviais, pastagens, etc., constituíam as terras de um engenho. Na lavoura havia destaque para o cultivo do feijão, da mandioca, do arroz e do milho.

Esses produtos eram lavrados a fim de servir de alimento humano. Contudo, a produção deles era insuficiente, não suprindo às necessidades das pessoas do engenho, já que os senhores do engenho não tinham interesse pelo cultivo de tais produtos.

Os senhores ali tinham os produtos cultivados como algo de baixa lucro, que apenas causavam danos para o espaço da lavoura, que tinha seu foco no cultivo da cana-de-açúcar, qual se tratava do cerne dos negócios da colonização.

Desse modo, outras atividades eram postas em segundo plano, o que gerava grande escassez de alimentos e elevava os preços. Mas isso era algo que não causava transtornos para os senhores, já que esses importavam os seus alimentos da Europa.

Citação

Equipe editorial de Conceito.de. (12 de Junho de 2013). Atualizado em 29 de Dezembro de 2023. Engenho - O que é, problemas, conceito e definição. Conceito.de. https://conceito.de/engenho