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Consubstancial

Consubstancial, que também pode ser mencionado como um ser, vem da palavra latina consubstantialis. A noção refere-se ao adjetivo que descreve aquilo que pertence à própria essência ou natureza de algo ou alguém, sendo indivisível do mesmo, isto é, consubstancial.

Consubstancial
Consubstancial descreve aquilo que faz parte da natureza de algo ou alguém, não podendo ser separado dele

Há economistas que argumentam que a acumulação de riqueza e o capitalismo são consubstanciais. Este deveria, de acordo com este ponto de vista, exigir que o modelo capitalista de existi, devendo haver alguém que acumule riqueza enquanto a acumulação de riqueza só é possível com um regime como o capitalista.

Muitas pessoas também afirmam que a corrupção é inerente às instituições e as entidades são dirigidas e impulsionadas por seres humanos, e todos podem chegar a cometer um acto corrupto. Nunca pode haver uma instituição imaculada porque os homens precisam de funcionar.

A vida e a morte, por outro lado, são inerentes/consubstanciais: não se podem conceber uma sem a outra. Para lá daquilo que entendemos como a vida, deve haver um fim mais tarde ou mais cedo, que consiste na morte. Por sua vez, a morte só pode aparecer como o fim da vida. Pode-se dizer que a vida e a morte são dois lados da mesma moeda: prescindir das mesmas é impossível.

Na área da religião católica, diz-se que as três pessoas divinas (Pai, Filho e Espírito Santo) estão consubstancialmente/inerentemente ligadas, porque têm em comum uma substância idêntica. A consubstancialidade, portanto, refere-se à relação entre as pessoas da Santíssima Trindade: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

Se você tem apenas alguns segundos, leia estes pontos chave:
  • O termo "consubstancial" se refere à relação entre Deus Pai e Jesus Cristo e é fundamental na teologia cristã.
  • Introduzido no Credo de Niceia, em 325 d.C, a consubstancialidade afirma a divindade plena de Jesus Cristo.
  • O Concílio de Constantinopla, em 381 d.C, estendeu o conceito para incluir o Espírito Santo na consubstancialidade.
  • A consubstancialidade é importante para a definição da ortodoxia cristã e auxilia na compreensão da natureza divina de Jesus Cristo e da Trindade.

O consubstancial no contexto teológico e histórico

No âmbito da teologia cristã, o termo “consubstancial” se refere à relação entre Deus Pai e Jesus Cristo. Tendo se originado na filosofia grega e com bastante uso pela Igreja Cristã primitiva, esse conceito possui consequências profundas na compreensão da divindade e é fundamental nos debates teológicos e conciliares.

Origens filosóficas e contexto histórico

O termo “consubstancial” foi introduzido no contexto teológico por meio do Credo de Niceia, desenvolvido durante o Concílio de Niceia, no ano de 325 d.C.

Esse credo assegurava que Jesus Cristo era “consubstancial ao Pai”, em outras palavras, ele compartilhava da mesma substância divina de Deus Pai. Tal formulação tinha o propósito de reafirmar a divindade plena de Jesus Cristo, servindo para derrubar as doutrinas heréticas que questionavam sua natureza divina.

O Concílio de Niceia e a formulação do Credo Niceno

O Concílio de Niceia fora convocado pelo imperador Constantino. Esse foi um evento que reuniu bispos de diversas regiões do império. E o tema principal em debate ali era a controvérsia ariana, tendo Ário por líder, a qual negava a divindade plena de Cristo.

E os debates ali se tornaram acalorados, ocasionando a formulação do Credo Niceno. Esse credo determinou a crença na consubstancialidade de Jesus Cristo com o Pai. Esse credo afirmava que Cristo se tratava de alguém que não era criado, mas sim gerado de forma consubstancial ao Pai”.

Desenvolvimento do conceito na teologia patrística

Após o Concílio de Niceia, a teologia patrística se dedica a compreensão da consubstancialidade de Cristo, realizando estudos mais profundos. E naquele período surgiram as reflexões de teólogos como Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesareia e Gregório de Nissa, os quais defenderam e estudaram sobre a doutrina do consubstancial.

O Concílio de Constantinopla e o Credo Niceno-Constantinopolitano

No ano 381 d.C., o Concílio de Constantinopla retoma as discussões a respeito da natureza de Jesus e aprimora o Credo Niceno.

Nesse concílio, se estendeu a expressão “consubstancial ao Pai”, também incluindo agora o Espírito Santo. Ali se afirmava que o Espírito Santo também seria consubstancial com o Pai e o Filho. Logo, a Trindade teria as três pessoas que a integram estabelecida no que tange a sua consubstancialidade, por meio do Credo Niceno-Constantinopolitano.

Essencialidade na teologia e também na história da igreja

conceito de consubstancial
Consubstancial é um conceito também crucial para definir a ortodoxia cristã

O conceito de consubstancial é também importante para a definição da ortodoxia cristã. Sua contribuição ainda existiu na luta contra as heresias. Esse conceito proporcionou uma base teológica para o entendimento da natureza divina de Jesus Cristo e da Trindade.

Na teologia patrística, moderna, contemporânea e medieval, o entendimento da consubstancialidade de Cristo se enraizou e foi interpretado à luz dos desafios teológicos de cada período.

Citação

Equipe editorial de Conceito.de. (15 de Dezembro de 2016). Atualizado em 31 de Maio de 2023. Consubstancial - O que é, conceito, essencialidade e história. Conceito.de. https://conceito.de/consubstancial